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Rolê Imobiliário · Mata da Praia

Mata da Praia: a mesma fazenda, loteada com outro desenho

A fazenda que deu Jardim da Penha deu também a Mata da Praia. A diferença está no desenho: treze quadras, lotes de 400 metros quadrados ou mais — e as árvores de pé.

6 capítulos · acervo histórico e as colunas de Renato Avelar

Começar a leitura

Jardim da Penha e Mata da Praia saíram do mesmo chão: a Fazenda Mata da Praia, de Justiniano Azambuja, com escritura de 1891, cujas terras iam até a praia de Camburi. Um lado virou o bairro de cerca de 1.400 lotes que se vive a pé; o outro virou treze quadras de lotes grandes, com dois parques.

Esta é a história do desenho que fez a diferença — contada pelo acervo público, porque o Renato Avelar ainda não escreveu sobre o bairro. Quando escrever, a página muda.

01 · 1891

Uma fazenda até a praia

A Fazenda Mata da Praia pertencia a Justiniano Azambuja, com escritura datada de 1891. As terras iam até a praia de Camburi — o mesmo chão que, décadas depois, seria loteado duas vezes, com dois desenhos diferentes.

O nome já dizia o que havia ali: a mata da restinga, entre o canal e o mar. É o que o bairro carrega até hoje no nome e nas ruas.

02 · 1928

A tentativa que não vingou

Em 1928, Pedro Ximenes tenta lotear a área para casas de veraneio. Não vinga. Vitória ainda cabia na ilha velha e no Novo Arrabalde; Camburi era longe, e a cidade não tinha chegado lá.

03 · 1952

O Loteamento Cambury

Em 1952 a prefeitura aprova o projeto da Empresa Capixaba de Engenharia Civil, e a urbanização começa. O modelo é o Cidade Jardim de Belo Horizonte: avenidas diagonais largas, treze quadras e lotes de aproximadamente 400 metros quadrados ou mais.

É aqui que os dois bairros irmãos se separam. Jardim da Penha, na mesma década, foi desenhado por Creso Euclydes com cerca de 1.400 lotes; a Mata da Praia foi desenhada para poucas casas em lotes grandes. O que se vê hoje — quadra arborizada, casa com quintal, rua larga — estava decidido no papel.

04 · 1960–1980

A cidade chega ao norte

O campus da UFES em Goiabeiras, erguido dos anos 1960 aos 1970, puxa a ocupação da região de Camburi: Jardim da Penha primeiro, Mata da Praia junto, Jardim Camburi depois. A Prefeitura registra a abertura do loteamento Mata da Praia no período de 1970 a 1980 — vinte anos depois da aprovação do projeto.

Entre a aprovação de 1952 e a ocupação dos anos 1970 está a distância entre desenhar um bairro e a cidade precisar dele.

05 · 1997

Os dois parques

Em novembro de 1997 abre o Parque Pedra da Cebola — oficialmente Parque Municipal Ítalo Batan Régis —, com área superior a 100 mil metros quadrados, no lugar da Pedreira de Goiabeiras, que funcionou até 1978. No mesmo ano é constituído o Parque Padre Alfonso Pastore, com mais de 44 mil metros quadrados.

Os dois parques, somados ao desenho de 1952, são o que faz da Mata da Praia um dos bairros mais arborizados de Vitória.

06 · hoje

O que o desenho deixou

Lote grande, quadra larga, dois parques: o bairro que resultou disso aparece nas listas nacionais — em 2013 como o 6º bairro mais valorizado do país, em 2014 na 7ª posição entre os melhores bairros do Brasil pelo IDH, segundo a Wikipédia. Na Häuser, o que importa é o que o desenho explica: por que a casa da Mata da Praia é o que é, e por que ela não vira prédio.

Sobre este texto

Esta leitura foi escrita a partir da caminhada gravada no episódio — não é a transcrição automática, que troca nome próprio e não tem parágrafo. As datas e os nomes históricos foram conferidos nas fontes ao lado antes de virar texto.

  • Renato Avelar ainda não escreveu nem gravou sobre a Mata da Praia: esta página é acervo público, sem a voz dele.
  • As datas de 1891, 1928 e 1952, o modelo do Cidade Jardim, as treze quadras e as áreas dos parques vêm do artigo da Wikipédia; as fontes primárias que ele cita não foram consultadas.
  • Os rankings de 2013 e 2014 são citados pela Wikipédia; a fonte original não foi conferida.
  • A Prefeitura registra a abertura do loteamento em 1970–1980, enquanto a aprovação do projeto é de 1952. As duas datas ficam como estão em cada fonte.
  • Não há fotografia de arquivo da Mata da Praia no nosso acervo; a página nasce sem imagens.
Fontes
  1. Mata da Praia, na Wikipédia
  2. Evolução urbana, Prefeitura de Vitória
  3. UFES — Linha do tempo
As fotografias

As imagens vêm do acervo histórico reunido pela Häuser. Onde havia barra de título, marca de colorização ou crédito de terceiro impressos no quadro, a barra foi recortada e o crédito voltou como texto na legenda de cada foto.

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