Jardim da Penha: a joia do outro lado da ponte
Desenhado nos anos 1950 com as ideias que fizeram Belo Horizonte e Paris, o bairro passou décadas congelado pelo plano diretor. Agora começa a descongelar.
Começar a leituraBastam poucos minutos para sair da Praia do Canto, atravessar a ponte Ayrton Senna e chegar a um dos bairros mais interessantes de Vitória — que, curiosamente, ainda passa despercebido por muita gente.
O capixaba é bairrista, e quem mora na Praia do Canto talvez ainda mais: existe a tendência de acreditar que o melhor da cidade termina nas quatro ruas de lá. Mas Vitória nunca foi feita de um bairro só. Esta é a história de Jardim da Penha, contada pelo acervo e pelo que o Renato Avelar escreve sobre ele.
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Textos de Renato Avelar, publicados em A Gazeta e hospedados aqui na íntegra, mais o nosso acervo fotográfico.
Um bairro desenhado para as pessoas
Jardim da Penha nasceu de um planejamento urbano extremamente inteligente. O desenho é dos anos 1950, de Creso Euclydes, e bebeu nas ideias modernistas e positivistas que influenciaram cidades como Belo Horizonte e Paris.
O resultado foi um bairro pensado para as pessoas: ruas largas, praças bem distribuídas, arborização generosa, comércio integrado ao cotidiano e uma escala urbana que continua agradável setenta anos depois. É o tipo de qualidade que não se improvisa depois — ou está na planta, ou não está.

A orla antes do bairro
Antes de haver bairro havia a praia de Camburi — uma reta de areia quase vazia, com a mata de um lado e o mar do outro. As fotos dos anos 1950 e 1960 mostram os primeiros prédios surgindo ao fundo, isolados, e a orla ainda sem avenida.
A ocupação do norte da ilha aconteceu depois, empurrada pelo campus da UFES em Goiabeiras e pela chegada da indústria. O que hoje é o bairro mais caminhável de Vitória começou como a última fronteira da cidade.



O comércio de rua que quase ninguém tem
Poucos bairros reúnem um comércio de rua tão forte. Basta olhar o entorno da antiga Praça do Santa Martha, que hoje muita gente chama de Praça do BH: ali estão alguns dos aluguéis comerciais mais valorizados da cidade — reflexo de um comércio vivo, diverso e permanente.
É a vida que o Rolê Imobiliário encontrou quando passou por aqui: feira, botequim, costureira, padaria, e um número de salões de beleza que faria qualquer pesquisador de mercado chorar de inveja. A vida acontece na calçada, no olho no olho, no cafezinho que a vizinha oferece antes de você perguntar.

Congelado pelo plano diretor
Durante muitos anos Jardim da Penha ficou praticamente congelado pelo Plano Diretor Urbano. A dificuldade de aprovação reduziu drasticamente os lançamentos — e há uma regra simples no mercado: são os imóveis novos que puxam o valor dos usados.
Foi exatamente isso que aconteceu do outro lado da ponte. Como aqui quase não chegaram edifícios novos, os imóveis permaneceram relativamente estáveis. Não por perderem qualidade — pelo contrário. Permaneceram estáveis porque faltou renovação da oferta.


A próxima grande virada
A ilha tem espaço cada vez mais escasso, e a cidade passa a olhar para as áreas capazes de absorver uma dinâmica nova. O triângulo formado pelas avenidas Dante Michelini, Eugênio Ramos e Saturnino Rangel Mauro ganha protagonismo. Soma-se a isso a revitalização da orla do Canal de Camburi — a mesma intervenção que já deu certo do lado da Praia do Canto, com R$ 219,9 milhões e cerca de 3,3 km de orla sobre a água.
A experiência urbana muda, e quando a cidade muda, o mercado acompanha. O mercado imobiliário não cria tendência sozinho: ele responde à transformação da cidade.
A previsão do Renato é direta: Jardim da Penha será um dos bairros com maior potencial de valorização de Vitória nos próximos anos — não apenas pelos edifícios que poderão surgir, mas pela qualidade de vida que sempre esteve ali e que agora começa a ser redescoberta.

O que está para alugar no Jardim da Penha
Há imóveis para alugar da Häuser no Jardim da Penha. Três deles:
Às vezes, a próxima grande oportunidade não está do outro lado do mapa. Ela está apenas do outro lado da ponte.
Sobre este texto
Esta leitura foi escrita a partir da caminhada gravada no episódio — não é a transcrição automática, que troca nome próprio e não tem parágrafo. As datas e os nomes históricos foram conferidos nas fontes ao lado antes de virar texto.
- O número de cerca de 1.400 lotes e a autoria do desenho por Creso Euclydes são os citados por Renato Avelar na coluna de julho de 2026 e no episódio do Rolê Imobiliário. O projeto original do loteamento não foi consultado em fonte primária.
- A previsão de valorização é uma opinião de mercado, assinada por ele na coluna — não uma projeção da Häuser nem uma garantia de retorno.
Fontes
- Folha Vitória — "De Rio Maruhype a orla urbana: a história do Canal de Camburi"
- UFES — Linha do tempo do campus de Goiabeiras
- Prefeitura de Vitória — orla do Canal de Camburi: R$ 219,9 milhões e 3,3 km sobre a água
As fotografias
As imagens vêm do acervo histórico reunido pela Häuser. Onde havia barra de título, marca de colorização ou crédito de terceiro impressos no quadro, a barra foi recortada e o crédito voltou como texto na legenda de cada foto.







